← Voltar à página inicial de Convent of Christ Tickets
Interior da Charola Templária no Convento de Cristo em Tomar

O Convento de Cristo — Dos Templários à Ordem de Cristo

Como uma fortaleza templária de 1160 se tornou no quartel-general da exploração marítima portuguesa, ao longo de 850 anos de campanhas construtivas.

Atualizado em maio de 2026 · Equipa de Concierge de Convent of Christ Tickets

O Convento de Cristo apresenta uma das histórias mais estratificadas de qualquer mosteiro português. Fundado em 1160 pelos Cavaleiros Templários, transferido para a Ordem de Cristo após a dissolução dos Templários em 1312, utilizado como quartel-general da exploração marítima portuguesa sob o Infante D. Henrique, e ampliado ao longo de oito séculos de construção. Este guia apresenta a cronologia factual de forma clara.

Os Templários — 1160 a 1314

Os Cavaleiros Templários eram uma ordem militar-religiosa do século XII, fundada em Jerusalém em 1119, que desempenhou um papel fundamental na Reconquista Ibérica. O rei D. Afonso Henriques concedeu-lhes terras em Tomar em 1159; o seu Grão-Mestre em Portugal, Gualdim Pais, fundou o convento e a fortaleza templária em 1160. A Charola (a igreja redonda inspirada no Santo Sepulcro de Jerusalém) foi concluída por volta de 1190 e continua a ser uma das raríssimas igrejas redondas medievais da Europa.

Os Templários em Tomar tornaram-se numa das instituições mais ricas e politicamente influentes de Portugal. A sua fortaleza e as terras circundantes controlavam a fronteira central com os Mouros durante os séculos XII e XIII. A sede da Ordem em Portugal situava-se em Tomar; a igreja templária e a fortaleza adjacente foram continuamente ampliadas ao longo dos finais do século XII e inícios do século XIII.

A Ordem de Cristo — a partir de 1319

Em 1312, o Papa Clemente V dissolveu a Ordem dos Templários em toda a Europa sob pressão do rei Filipe IV de França. Na maioria dos reinos, os bens dos Templários foram transferidos para outras ordens religioso-militares ou confiscados pela coroa. Em Portugal, o rei D. Dinis conseguiu argumentar pela criação de uma nova ordem portuguesa para herdar o património templário — a Ordem de Cristo, fundada em 1319. O Convento de Cristo tornou-se a sede da nova ordem.

Sob a Ordem de Cristo, o convento continuou a expandir-se. De forma particularmente significativa, o Infante D. Henrique (1394-1460) tornou-se Grão-Mestre da Ordem em 1420 e utilizou a riqueza da Ordem — grande parte herdada dos Templários — para financiar a exploração marítima portuguesa ao longo da costa africana. O símbolo da Ordem de Cristo (uma cruz vermelha com uma cruz branca mais pequena no interior) decorava as velas das caravelas portuguesas durante a Era dos Descobrimentos.

A fase manuelina — 1495 a 1521

O rei D. Manuel I (rei entre 1495-1521) herdou o Grão-Mestrado da Ordem de Cristo e empreendeu uma grande ampliação do convento. O acrescento mais espetacular foi a célebre Janela do Capítulo manuelina na fachada poente — uma janela ricamente esculpida celebrando a Era dos Descobrimentos portuguesa, com cordas, âncoras, esferas armilares, a Cruz da Ordem de Cristo e motivos marítimos estilizados.

Outros acrescentos manuelinos: a segunda igreja principal do convento (adicionada junto à Charola, com um portal manuelino na extremidade poente), vários claustros novos e decoração elaborada nos edifícios existentes. A fase manuelina em Tomar desenvolve-se paralelamente à fase manuelina contemporânea da Batalha; juntas constituem os dois grandes ciclos manuelinos de Portugal.

História moderna — da dissolução à UNESCO

A Ordem de Cristo foi secularizada em 1789 — os seus bens nacionalizados, o seu carácter religioso extinto. Os edifícios conventuais continuaram a ser utilizados pelo Estado português ao longo do século XIX. Em 1834, as ordens religiosas masculinas em Portugal foram formalmente dissolvidas. O convento foi declarado Monumento Nacional em 1910 e inscrito pela UNESCO como Património Mundial em 1983.

Os trabalhos de restauro continuaram ao longo dos séculos XX e XXI. O interior da Charola Templária foi extensamente restaurado nas décadas de 1980-1990. A Janela do Capítulo recebeu trabalhos de conservação nos anos 2010. O convento está agora aberto todo o ano; aproximadamente 250.000 visitantes vêm todos os anos. O sítio é gerido pela autoridade nacional do património.

Perguntas frequentes

Quem fundou o Convento de Cristo?

Os Cavaleiros Templários em 1160, sob o comando do seu Grão-Mestre português Gualdim Pais. A fortaleza templária original e a Charola (igreja redonda) foram construídas entre 1160 e 1190 — a Charola é uma das raríssimas igrejas redondas medievais da Europa.

O que aconteceu aos Templários em Tomar?

O Papa Clemente V dissolveu a Ordem dos Templários em 1312 sob pressão do Rei Filipe IV de França. Em Portugal, o Rei D. Dinis conseguiu que fosse criada uma nova ordem — a Ordem de Cristo, fundada em 1319 — para herdar os bens templários. O Convento de Cristo tornou-se a sede da nova ordem.

Qual é a ligação do Infante D. Henrique a Tomar?

O Infante D. Henrique (1394-1460) foi Grão-Mestre da Ordem de Cristo desde 1420 até à sua morte. Utilizou a riqueza da Ordem — grande parte herdada dos Templários — para financiar a exploração marítima portuguesa ao longo da costa africana. O símbolo da Ordem de Cristo ornamentava as caravelas portuguesas durante a Era dos Descobrimentos.

Porque se chama Charola à igreja redonda de Tomar?

Do português 'charola', que significa igreja redonda ou rotunda. A Charola de Tomar foi construída por volta de 1190 segundo o modelo do Santo Sepulcro de Jerusalém — uma planta circular que simboliza a perfeição de Deus. Outras igrejas redondas medievais na Europa incluem a Temple Church em Londres e a Round Church em Cambridge.

Quando foi o Convento de Tomar classificado pela UNESCO?

Em 1983. A inscrição abrange todo o complexo monástico no alto da colina de Tomar — a Charola, a igreja manuelina, os oito claustros, a Janela do Capítulo e o jardim muralhado medieval.

O Convento de Cristo ainda é uma instituição religiosa em funcionamento?

Não. A Ordem de Cristo foi secularizada em 1789 e as ordens religiosas masculinas foram dissolvidas em 1834. Os edifícios do convento são agora propriedade do Estado, geridos pela autoridade nacional do património e operados como sítio UNESCO. Não existe qualquer comunidade religiosa ativa.